Somos todos pagãos
É doloroso mas tenho de o transcrever, talvez para bem do nosso entendimento. Depois de ler este excerto de "Que fazer com esta igreja", do Pe. Mário de Oliveira, digam-me de vossa justiça... porque eu não sei responder a isto.
«Quando os bispos falam da "matriz cristã" do nosso país, bem como de toda a Península Ibérica, estão a laborar num erro crasso. E duvido que seja por distracção. Será por contumácia. O erro é este: a matriz do nosso país e de toda a Península Ibérica como, de resto, da Europa não é a matriz cristã. É a matriz romano-pagã. Também tem algo de cristianismo, mas só no vocabulário, não nos conteúdos. Os valores sobre os quais se edificaram a Península Ibérica e os países da Europa e do Ocidente são os valores do Paganismo e do Império Romano. Não são os valores alternativos do Cristianismo, do Evangelho de Jesus. Só um cego é que não vê.
(...)
Foram ao cúmulo de encenar, na Serra d'Aire, um conjunto de aparições duma tal senhora de Fátima para, por meio desse embuste, desse diabólico estratagema, conseguirem derrubar a República e [os bispos] voltarem a usufruir dos privilégios perdidos.
(...)
O Paganismo instalou-se então em força no nosso país sob o culto da grande deusa-Mãe que, na versão portuguesa, recebeu o nome de Nossa Senhora de Fátima. E aí está, de pedra e cal, desde então mas sob a designação de Cristianismo. Tanto que nem a revolução do 25 de Abril de 1974 foi capaz de lhe tocar. Apontou corajosamente os chaimites contra o palácio do sucessor de Salazar, para o fazer capitular. Não os apontou contra o santuário de Fátima por exemplo, apesar de este, desde o início da ditadura, ter abençoado o ditador e o seu regime (...). É neste Paganismo que permanecemos. Um Paganismo que os bispos católicos e outros prestigiados e influentes fazedores de opinião, nos media, insistem em chamar Cristianismo.»

5 Comments:
ainda ontem tive uma troca de opiniões com uma daquelas pessoas com o perfil clássico de "cátólico não praticante" e ao falar sobre a Igreja dizia-me isso, que no fundo somos os piores. Não acredito mas ainda qua acreditasse, acredito também que só quando estamos com as mãos na massa é que podemos criticar porque prcuramos mudar. A maioria das pessoas fala sem conhecimento de causa e por isso aceito melhor (ainda que não concorde) a acusação de paganismo de um padre do que outra qualquer e de um outro qualquer que nem sequer tenta perceber quanto mais mudar.
obrigada pelo contributo!
baci
O que mais assusta é que nem é bem uma acusação, é um alerta. Um alerta para o facto de, em vez de fugirmos a sete pés da realização pessoal e de fazermos um Deus à nossa imagem para que responda às nossas orações, estamos precisamente a viver isso como se fosse o caminho para o Evangelho, a Boa Nova de Jesus.
o problema não é que as manifestações humanas do sobrenatural caiam sempre um bocado no paganismo; temos a herança cultural que temos e manifestamo-nos como sabemos. O problema é quando os ritos se tornam mais importantes do que a verdadeira Mensagem. Isso é o que me preocupa - que os "invólucros" se tornem vazios de sentido e que os preceitos valham por si só.
Bem, ando mm "fora", pois só agora vi este post... :S
Não sei se concordo com tanto radicalismo, no entanto, concordo que existe uma ideia instituída de que são os ritos, as ídas à missa, etc, que fazem os cristãos!...
Para alguns "cristãos" e muitos não cristãos parece que o que realmente tem importância são as "componentes" físicas e visíveis da religião. Não que não sejam importantes, mas não são actos mágicos!
Olhando para Fátima só consigo ver uma indústria poderosa que vive à custa da fraqueza das pessoas que recorrem em desespero e esperam um passo de mágica: uma vela em troca da cura de uma familiar, não sei quantas voltas de joelhos em troca de outro qualquer benefício...
Troca... Dar depois de receber ou dar para receber...
Falta a muitos cristãos a parte mais importante: fé - mas não a esperança de receber algo em troca!
Fé... Seguir o exemplo de Jesus confiando sempre no Pai, que nos apoia e nos encaminha para aquela que é a nossa verdadeira missão, e não para as nossas "vontades de agora"!
Ultimamente tenho sentido alguma resistência em casa quanto ao meu "fanatismo religioso" (para eles) apenas porque faço questão de ir todos os domingos à missa... Esta necessidade de ir à missa não é, no entanto, o que me torna cristã, mas sim uma consequência de ser cristã! E isto eles não percebem...
Da mesma forma, ir a Fátima pode ser importante para algumas pessoas, mas não devia ser para pagarem uma promessa... Fátima pode ser como uma fonte para aqueles que acreditam na aparição da Virgem Maria, como é para mim a missa... Uma fonte que jorra em comunidade!
Quanto ao medo de estarmos a seguir pelo caminho errado... Acredito num Deus que tem uma relação comigo, que se dá a conhecer através das pessoas. Assim, basta-nos fechar os olhos e conversar com Ele para saber qual o verdadeiro caminho até Ele! ;)
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